As bonecas bebê reborn, conhecidas por seu realismo extremo, estão cada vez mais presentes não só entre colecionadores, mas também como objetos de apoio emocional. No entanto, o crescente interesse por esses “bebês” de silicone acende um debate entre psicólogos e psiquiatras sobre os limites entre o conforto e o adoecimento mental.
Embora possam oferecer consolo em situações de luto (como perdas gestacionais) ou para idosos com demência (reduzindo ansiedade e solidão), a psicóloga Márcia Lenci Viscomi alerta para o risco quando o vínculo com a boneca substitui relações humanas ou impede o enfrentamento de questões emocionais importantes. Quando o apego se torna uma “prisão psíquica”, a boneca deixa de ser um apoio temporário e se transforma em um sintoma de sofrimento, indicando uma dificuldade em lidar com a realidade e a dor.
A popularidade dos bebês reborn reflete uma sociedade que, segundo a análise, tem dificuldade em tolerar a ausência e o sofrimento, buscando prazer instantâneo e anulando a dor em vez de elaborá-la. A dor, apesar de desconfortável, é fundamental para a saúde psíquica, convidando à reflexão e à construção de novos sentidos. A negação dessa experiência pode levar ao adoecimento, destacando que a saúde mental não reside na busca pela felicidade constante, mas na capacidade de atravessar as experiências difíceis da vida.
Fonte: Jovem Pam



























